sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Sal

Se esta Vida é um mar
E cada onda é um dia,
Tu...
És a rede vazia

Se esta Vida é um mar
De maré aluada,
Tu...
És a rede furada

Se esta Vida é um mar
E a tua secou,
Tu...
Foste quem a nadou

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Nuvem 7 Bordeaux

Tu sabes sempre onde estou,
Onde me encontrar...
Debaixo da pedra, sem ar

Num casulo tão vazio,
Buraco tão só meu...
A sarjeta é o céu

E a nuvem sete bordeaux
Vai deitando sal...
Na ferida, aberta, por nós

E o peito tão vazio
De tudo o que deu...
E o teu nome é o céu...

domingo, 19 de setembro de 2010

Sombra

Há uma sombra, fria e má
Que só vem de noite quando eu não estou cá...
Vive em mim, cá bem no fundo
Guarda as chaves dos portões p'ra outro Mundo

Eu não sei como aconteceu
De silêncio tomou conta do que é meu
Eu fiquei diferente de outros
Portador de um vírus que afasta a luz...

Vem disfarçada de arrepio
Cobre-me com um sobretudo sujo e frio
Conta-me histórias de assombração
Põe-me pedras no lugar do coração

Sem pedir, encosta-se a mim
Esgota-me os sentidos quase até ao fim
Pesa mais que um dia de Inverno
Puxa-me p'ra baixo num buraco eterno...

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Ódio de Estimação

Estranha a luz que me alumia
Escura a força que me guia...
Quando é que vai ser o funeral?..

Não leves a mal,
Se eu não for...

É uma prova que afinal,
Não era amor,
E o que havia entre nós
Morreu contigo...

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Na Varanda do Morto

Na varanda do morto eu espero-te às vezes, à tarde
Entre os saltos das horas, sem histórias, aprendo a amar-te
Na varanda do morto não há quem me dê o bom dia
Não lá passa viv'alma e a minha, cada vez mais vazia...

Na varanda do morto um cigarro tem maços de tempo
Alimentam-se os cancros que moldam o meu pensamento
Na varanda do morto a razão já não sabe quem é
Para viver de joelhos, mas vale morrer de pé...